Adolescência, Conflito
m/t/s/+(eu)
Minhas mãos tremem
e eu fico espantando com o branco do meu corpo, com o branco do papel
e com o branco do céu, nada disso parece ser branco o suficiente na
hora da prova, tanto o meu corpo moreno quanto o papel amarelo do meu
caderno e o azul do céu me dizem que talvez haja uma barreira entre
a realidade criada e a realidade vivida, todos eles me dizem que eu
não estou pronto ainda e por isso eu entro em todo lugar com a
cabeça baixa, só quero aprender, enquanto a família não nos
ensina eles nos arrastam lentamente, logo a inocência se confunde
com indecência e a linguagem coloquial em chula, borrões no céu
distante são meu exemplo mais claro do que é ser cândido, sim
nuvens do que um dia já foi úmido e se secou pelo calor do
tempo....
Logo minhas linhas
começam a ficar mais fortes, o que me falta em experiência talvez
eu compense em coração, ok, começamos com falhas anatômicas,
gramaticais e sem muita noção tricotômica, mas não há muitas
falhas estruturais né?! Tempo de indecisão, de insegurança, de
dúvidas, a vida é uma escola? Ou é uma selva? Sei lá, entre Raps
e ritmos quentes e dançantes logo músicas de ninar são esquecidas
e trancadas, vacas amarelas e bois de cara preta fogem e dormimos
sozinhos, olhamos nossos pais como inaptos aos tempos atuais,
paralisados pela linha que separa as nossas gerações, eles dizem
coisas sem sentido meneamos a cabeça no fundo do coração em
desapontamento, talvez por isso perdemos também a atenção que
estamos acostumados a receber, palavras agudas que tentam nos
classificar finalmente alcançam e machucam a alma, nos ensinam
valores estranhos, introspecção é frieza, pudor e respeito é
vergonha, coragem é rebeldia,fidelidade é bobagem, perseverança é
teimosia, bondade é tolice, então quando pensamos que não, nos
tornam culpados por todos os crimes possíveis...
E assim começamos a
buscar aquilo que não nos contam, não nos explicam, leis e regras
são inseridas em nosso corpo, rápido elas se tornam nossa inimiga,
os aptos se destacam porém eles parecem ser os mais fracos, tateando
no escuro é como me sinto, tateando, procuro algo lenta e
temerosamente em que eu posso confiar ou para me situar finalmente,
mas não encontro nada, começo a andar e percebo que não há parede
no fim dos corredores, começo então a correr pra testar os limites
e me pergunto “será que há outros corredores?” Passam voando os
anos e me dizem que a esperança está no alto, onde é esse alto? O
que é essa esperança? O que é esse voar? E o tempo? O espaço?
Limites que trabalham no infinito ajudam a impor uma razão
massacrante ao ser e ao crer, logo a razão se torna o nosso tutor e
ela é chata demais, explicações infindáveis para entender algo, a
ciência como um circo de horror se torna presunçosa e arrogante,
quando tudo isso aconteceu? Onde eu estava? Finalmente saímos para
viver a vida e percebemos que estamos ainda lá no canto, não nos
movemos nem um palmo a vida agora corre depressa e nos a olhamos e
sentimos que a estamos perdendo e estamos, lentamente... Conflitos e
confrontos que não cessam, amigos se tornam os piores inimigos e o
nosso herói se torna ou se revela um carrasco, isso está bastante
em voga nesses dias não?! História infantil contada por nos mesmos
para nos fazer dormir como um remédio que não se dissolve nunca,
assim a raiva e a amargura encontram seu estágio mais profundo em
nossa repetida história, AH Deixarei tudo, a vida é complexa demais
e aqueles que enxergam o seu propósito e não o cumpre tentam nos
empurrar as suas batalhas em qualquer oportunidade como se todos
devemos ser como eles, temos nossas próprias batalhas e as das
gerações anteriores agora, assim tudo volta a se centralizar nele,
no nosso protagonista, ele mesmo que foi culpado por tudo agora tem
que ser o salvador, inaptos se tornam agora comandantes e generais de
um mundo decadente, a lógica infantil de repetir desculpas acalenta
mas não some com a dor, tudo isso não finda nunca, e nosso herói
começa a acumular tarefas, sonhos, expectativas, o que querem dos
jovens depois que ultrapassam a adolescência? Heroísmo? Altruísmo?
Não, não é bem isso, querem usar as nossas forças para se
livrarem do que não puderam, o que sentimos é servidão, e tudo que
fazemos parece no fim do dia outro modo de adoração.
NEVER MORE
Agora a ciência se
volta contra os poderosos, agora eu mesmo farei a revolução e o
redemoinho girar, vocês escondem a verdade e nos tratam como
cordeiros, nos obrigam a carregar jugos que não merecemos, bem disse
Jesus sobre vós, bem nos advertiu Jean-Jaques Rousseau...
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