domingo, 11 de outubro de 2015

A Tal Intersecção - Parte 2


Adolescência, Conflito m/t/s/+(eu)

Minhas mãos tremem e eu fico espantando com o branco do meu corpo, com o branco do papel e com o branco do céu, nada disso parece ser branco o suficiente na hora da prova, tanto o meu corpo moreno quanto o papel amarelo do meu caderno e o azul do céu me dizem que talvez haja uma barreira entre a realidade criada e a realidade vivida, todos eles me dizem que eu não estou pronto ainda e por isso eu entro em todo lugar com a cabeça baixa, só quero aprender, enquanto a família não nos ensina eles nos arrastam lentamente, logo a inocência se confunde com indecência e a linguagem coloquial em chula, borrões no céu distante são meu exemplo mais claro do que é ser cândido, sim nuvens do que um dia já foi úmido e se secou pelo calor do tempo....
Logo minhas linhas começam a ficar mais fortes, o que me falta em experiência talvez eu compense em coração, ok, começamos com falhas anatômicas, gramaticais e sem muita noção tricotômica, mas não há muitas falhas estruturais né?! Tempo de indecisão, de insegurança, de dúvidas, a vida é uma escola? Ou é uma selva? Sei lá, entre Raps e ritmos quentes e dançantes logo músicas de ninar são esquecidas e trancadas, vacas amarelas e bois de cara preta fogem e dormimos sozinhos, olhamos nossos pais como inaptos aos tempos atuais, paralisados pela linha que separa as nossas gerações, eles dizem coisas sem sentido meneamos a cabeça no fundo do coração em desapontamento, talvez por isso perdemos também a atenção que estamos acostumados a receber, palavras agudas que tentam nos classificar finalmente alcançam e machucam a alma, nos ensinam valores estranhos, introspecção é frieza, pudor e respeito é vergonha, coragem é rebeldia,fidelidade é bobagem, perseverança é teimosia, bondade é tolice, então quando pensamos que não, nos tornam culpados por todos os crimes possíveis...

E assim começamos a buscar aquilo que não nos contam, não nos explicam, leis e regras são inseridas em nosso corpo, rápido elas se tornam nossa inimiga, os aptos se destacam porém eles parecem ser os mais fracos, tateando no escuro é como me sinto, tateando, procuro algo lenta e temerosamente em que eu posso confiar ou para me situar finalmente, mas não encontro nada, começo a andar e percebo que não há parede no fim dos corredores, começo então a correr pra testar os limites e me pergunto “será que há outros corredores?” Passam voando os anos e me dizem que a esperança está no alto, onde é esse alto? O que é essa esperança? O que é esse voar? E o tempo? O espaço? Limites que trabalham no infinito ajudam a impor uma razão massacrante ao ser e ao crer, logo a razão se torna o nosso tutor e ela é chata demais, explicações infindáveis para entender algo, a ciência como um circo de horror se torna presunçosa e arrogante, quando tudo isso aconteceu? Onde eu estava? Finalmente saímos para viver a vida e percebemos que estamos ainda lá no canto, não nos movemos nem um palmo a vida agora corre depressa e nos a olhamos e sentimos que a estamos perdendo e estamos, lentamente... Conflitos e confrontos que não cessam, amigos se tornam os piores inimigos e o nosso herói se torna ou se revela um carrasco, isso está bastante em voga nesses dias não?! História infantil contada por nos mesmos para nos fazer dormir como um remédio que não se dissolve nunca, assim a raiva e a amargura encontram seu estágio mais profundo em nossa repetida história, AH Deixarei tudo, a vida é complexa demais e aqueles que enxergam o seu propósito e não o cumpre tentam nos empurrar as suas batalhas em qualquer oportunidade como se todos devemos ser como eles, temos nossas próprias batalhas e as das gerações anteriores agora, assim tudo volta a se centralizar nele, no nosso protagonista, ele mesmo que foi culpado por tudo agora tem que ser o salvador, inaptos se tornam agora comandantes e generais de um mundo decadente, a lógica infantil de repetir desculpas acalenta mas não some com a dor, tudo isso não finda nunca, e nosso herói começa a acumular tarefas, sonhos, expectativas, o que querem dos jovens depois que ultrapassam a adolescência? Heroísmo? Altruísmo? Não, não é bem isso, querem usar as nossas forças para se livrarem do que não puderam, o que sentimos é servidão, e tudo que fazemos parece no fim do dia outro modo de adoração.

NEVER MORE

Agora a ciência se volta contra os poderosos, agora eu mesmo farei a revolução e o redemoinho girar, vocês escondem a verdade e nos tratam como cordeiros, nos obrigam a carregar jugos que não merecemos, bem disse Jesus sobre vós, bem nos advertiu Jean-Jaques Rousseau... 

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