IV
TEORIA DO COMPORTAMENTO
2ª Fase: A mente
A VIDA EM SI
Na primeira fase vimos que a vida começa somente quando um ideal é estabelecido, e é em prol desse ideal que a pessoa vive, o viver neste caso será um busca de um saldo positivo que satisfaça a pessoa, normalmente as pessoas terão vários ideais (pela ciência de modo geral a sociedade e portanto as pessoas são insaciáveis). Existe uma outra maneira de viver, esta não é baseada em lucro nem em cálculos intrincados, esta é a vida propriamente dita, é difícil de ser expressada porém tentarei ao máximo exprimir o seu real significado nos capítulos seguintes.
"Invariavelmente eu me pergunto como pessoas educadas podem ser tão cegas para não ver que a ciência não faz nada além de explorar a criação de Deus."
Michael Heller, 72 anos, cosmólogo polonês que sustenta a possibilidade de comprovar matematicamente a existência de Deus, vencedor do prêmio Templeton (820 mil libras esterlinas ou cerca de R$ 2,87 milhões).
Segunda fase: o início
Nós estamos presos ao tempo linear, e a principal manifestação do conceito limitador que o tempo linear trás é o do infinito, ou seja, por causa do tempo, por estarmos presos à ele, nós nunca entenderemos o significado do infinito, contudo todos nós temos noção do infinito mesmo não o assumindo no campo físico (até porque não é possível), o infinito será algo que os nossos olhos não conseguem alcançar o seu fim ou o infinito será para nós uma repetição ilimitada, em termos práticos o infinito não existe contudo todos temos um conceito impresso em nós; na verdade o que ocorre é que qualquer indivíduo sente dentro dele a manifestação do infinito, claro que este é totalmente maleável à vontade do próprio indivíduo; quando nossos valores estão certos, quando temos certeza de um valor nosso, nós destruímos todos os outros valores pelo confronto direto em relação à aquela coisa, as outras coisas serão formadas com base nesta verdade, isso sempre ocorre, contudo quando este mesmo valor ultrapassa todos os outros valores, ou seja, quando nós escolhemos dar um valor x para determinada coisa ou pessoa, e este ultrapassa todos os outros, quando a dúvida some, e a pessoa “sabe”, quando a pessoa escolhe ter certeza de que um comportamento é (ou foi) o comportamento certo tomado, o valor de um acontecimento, ou informação terá valor infinito, isso garantirá a certeza de que o comportamento foi o certo.
y= v1.a + v2.b + v3.c + v4.d + .... ∞X.H
Neste caso nada poderá mudar a tal verdade, nenhum agente externo poderá mudar este comportamento, somente a pessoa poderá mudar, e isso só ocorrerá quando este valor não for mais infinito, este conceito não tem base na mesma consciência da primeira fase, será uma consciência quase que invariável, ela só poderá ser mudada pelo próprio indivíduo, é aqui que estão todos aqueles que são chamados de “homens de princípio”, na verdade todo homem que consegue escolher a maneira de viver sem interferência do meio conhece muito bem este princípio do infinito, que pode ser chamada de princípio da eternidade, ou invariabilidade do valor atribuído.
Nem sempre este valor é positivo, as vezes é negativo. De qualquer modo quando isso ocorrer a pessoa terá vencido o tempo linear, ela fisicamente não sairá do tempo, contudo a sua vida será totalmente comandada por ela mesma, mesmo que ela deixe que fatores externos a influencie, terá sido de inteira vontade do ser; o conceito de infinito para a mente classifica a pessoa como fora do tempo e do mundo, com este valor, todos os lucros tenderão a desaparecer, pois o lucro será infinito, nada externo poderá mudar este conceito, aqui há a manifestação mais verdadeira da vida, esta sim, podemos dizer que é manifestação do livre arbítrio, o viver e o morrer não significarão mais nada, pois os objetivos serão cumpridos pelo conceito de infinito, na verdade a morte em si não significará nada se assim ela desejar, neste caso a satisfação não será temporária, mas eterna e cada segundo manifestará o querer da pessoa e da vida em si. Outra coisa que precisamos destacar é que além do indivíduo ser eterno e pleno em vontade nesta fase, normalmente a pessoa não viverá eternamente nesta fase, por isso a pessoa não sente a eternidade, é muito comum a pessoa não viver neste fase, na verdade quando esta fase se inicia é muito comum a pessoa viver em permanente transição, viverá ora manifestando uma fase, ora outra, este conceito de infinito será na maioria das vezes usado como um auxiliador, um refúgio, ou como um lugar para se arrumar força ou base, isto ocorre porque o ser humano necessita dizer que fez algo, que é merecedor, que o infinito manifestado nele é um produto de suas ações ou vivências, que ele fez ou ele é.
Este primeiro conceito está ligado a um comportamento, ou a um ato, porém nem sempre é ai que ele começa; como dizemos na primeira fase, tudo decorrerá de quem você classifica como a pessoa mais importante, quem você classifica como sendo você e quem são os outros, outra maneira desta nova maneira se manifestar será quando algo (ou alguém, que é o mais comum) ganha um valor infinito; à este conceito de infinito nós normalmente chamamos de amor, o amor manifesta emoção, citando um poeta podemos dizer que o amor é “uma dor que desatina sem doer, é um contentar sem contentamento”, o amor gera tristeza e ao mesmo tempo alegria, a tristeza se manifesta pela substituição (transferência) de um valor próprio para outra coisa (ou pessoa), a alegria se manifesta com a alegria do outro ser (mais valorizada) sendo cumprida, ou seja:
y= v1.a + v2.b + v3.c + v4.d + .... VX.H y é o antigo ser mais valorizado.
a, b, c, d, ..., h. São os acontecimentos.
y= x.∞ x é o novo ser valorizado.
Ou seja, a alegria do antigo indivíduo será ver o novo indivíduo alegre.
Neste caso a porta do conceito da eternidade se abriu por achar que alguém é invariável e basear nele as suas ações, seus lucros, ou seja, tudo será em função deste novo ser.
Quando alguém dá a um comportamento o sentido de infinito, ou eterno, os sentimentos em si perderão sentido, se o infinito for positivo haverá satisfação plena, ainda que a alegria não se manifeste, o ser se sentirá completo, pois tudo será lucrativo, e tudo se concretizará pelo infinito positivo; se o infinito for negativo, a pessoa desaparecerá, os lucros serão negativos, os comportamentos serão mais uma manifestação das necessidades, contudo o sentimento de estar incompleto não manifestará tristeza; nem sempre a tal coisa valorizada será verdadeira (ou seja nem sempre a idéia sobre algo corresponde a realidade), o que significa que este conceito é muito perigoso, é preciso que a pessoa tenha muita cautela ao empregar este conceito e mesmo que a pessoa deseje empregar o termo em algo, é melhor que a pessoa saiba como, o ideal é empregarmos o termo somente em coisas abstratas ou idealísticas, ou melhor: aos valores impressos na tal atitude, isto digo, pois toda coisa “visível” é mutável, as coisas “invisíveis” são imutáveis (pelo menos quando eles chegam nesta fase), como disse esta fase transpassa o tempo, ainda que o indivíduo possa modificá-lo, até ignorá-lo, a ideologia em si será de estrita vontade do indivíduo, aqui há a manifestação da vida plena e embora seja diferente em termos gerais, na prática ela é igual ao conceito do certo e do errado, na verdade depois da abertura desta fase, ocorre uma ação manutensiva, esta ação pode ser chamada de consciência e é a manifestação da primeira fase de atribuição de valores finitos, ela vai trabalhar para que o saldo continue infinito positivo (na verdade ela é totalmente irreal, porém por uma vontade de pagar o sentimento ocorre uma contabilidade mental que tentará fazer você pagar pelo sentimento, na verdade tudo depende da consciência), se o saldo for negativo, pode haver a consciência para explicar o porque do saldo ficar assim, será explicativo (nem sempre esta se manifesta). Na verdade novos conceitos podem surgir para explicar o fato de que nenhum comportamento tem sentido mais em si, quando a pessoa alcança este estágio, seus comportamentos não serão resultados simplesmente, pois não haverá realmente nada em si mesmo que faça criar um sentimento ou uma satisfação, estes na verdade já terão sido encontrados ou poderão ser desenvolvidos de acordo com a vontade do ser, contudo a vida no tempo linear à que estamos presos não terá um sentido em si, há várias respostas que podem ser desenvolvidas, as mais comuns são: a primeira é sorrir, ou se alegrar, este se manifesta tanto na necessidade de mostrar que seus lucros estão continuamente sendo contabilizados quanto na vontade de dizer (ainda que não seja com palavras) que você concluiu uma fase ou alcançou sua meta e nada poderá mais tirá-la de você, por isso quem está nesta fase normalmente tem seu semblante sereno, tranqüilo e é ao que parece alegre interiormente; a segunda é constatar a improdutividade que tal consciência leva, esta constatação é mental e estritamente dependente da vontade do indivíduo, a consciência de que nada físico pode manifestar alegria em si, ou melhor, a consciência de que não é preciso fazer determinada coisa para se obter alegria ou satisfação pode ser muito mais real do que algumas pessoas possam aceitar, a felicidade infelizmente na primeira fase é uma ligação estreita com a sociedade e como ela classifica seus integrantes, para a pessoa a satisfação está em você ser bem sucedido para os outros, e assim atingir o seu objetivo, interessante notar que raramente esses valores são criados pela valorização das outras pessoas, porém da valorização que se faz necessária (constatação mental) dos valores impressos na sociedade e do respeito pelas leis por ela imposta de lucro-benefício, ou seja, esta segunda resposta faz com que a realidade da segunda fase seja suprimida pela valorização do lucro que a sociedade pode proporcionar para determinado indivíduo, ou melhor ainda, a segunda fase é suprimida pela necessidade de afirmar que estamos no controle de determinada situação ou coisa, da necessidade de dizer que eu fiz ou vivi ou vi, ou seja lá o verbo, em síntese: da vontade inconsciente de dizer que é necessário algo para a manifestação de alguma coisa, e desse modo afirmar inconscientemente que estamos no controle, esta fase é suprimida e a primeira fase volta a funcionar.
O Valor nesta fase.
Em nossa sociedade é muito comum associarmos a vida e a liberdade com algo desregrado, sem esquemas mentalmente produzidos, para que se apresente uma manifestação mais pura do inconsciente e assim a pessoa vise lucros mais rápidos, em um exemplo prático, podemos dizer que a liberdade está associada aos nossos dias a um indivíduo em frente ao piano sem nenhuma partitura, neste caso, ao som que sai inconscientemente a sociedade classifica como manifestação da liberdade, isto não é verdade, nem sempre o som produzirá liberdade e manifestará o conceito de vida de acordo com os valores da pessoa, a verdade é que a pessoa pode vir a tocar visando um lucro, o que tirará a liberdade, nem sempre o desejo será tocar, as vezes será ficar em silêncio, a manifestação da liberdade não está ai, a manifestação da liberdade está em darmos significado aquele ato, ou seja, produzirmos algum ato ou comportamento não visando um lucro, porém visando a manifestação tanto de valores eternos, quando a manifestação da vida, o que significa que se um indivíduo sentar ao piano, pegar uma partitura e dar valor, dar significado aquela música tocada, haverá a manifestação da vida tanto quando daquele que toca de uma maneira inconseqüente, constatamos então que a vida nesta fase não está em fazermos isso ou aquilo, porém em darmos significado a cada momento, a cada comportamento, a cada escolha, neste caso, não só os lucros serão excluídos, os próprios resultados deixarão de existir, e a vida se manifestará plenamente.
Alguns casos se parecem muito com esta fase, porém não são, pois normalmente estes casos são variáveis, são normalmente passageiras; podemos classificá-las como uma maneira de se obter a manifestação indireta desta fase, contudo não apresentará a vida em si que esta nova fase trás, na verdade a pessoa pode vir a se tornar mais presa ao tempo linear do que antes, isto ocorre porque normalmente estes casos são meia manifestação desta segunda fase. A segunda fase simboliza um vida antiga morta ou completa e um nova vida surgindo ou começando, os casos com meia manifestação da vida são aqueles em que só ocorre a morte, pode vir ocorrer de a pessoa procurar algo infinito depois da morte desta, porém estes casos não significam em si a vida da segunda fase; portanto estes casos podem ser chamados como um protótipo imperfeito e incompleto. Aqui são dois dos casos que podem ocorrer:
Protótipo imperfeito e portanto variável.
SEGUNDA
Outra forma muito comum de se morrer psicologicamente e nascer de novo acontece somente se a pessoa conseguir atingir todos os seus objetivos, claro que isso dependerá totalmente dos valores e do querer desta pessoa, as vezes a pessoa pode atribuir um valor x para algo e fazer com que um saldo que não era satisfatório (maior do que já era), se torne; esta morte é inconsciente e neste caso sem o conceito de infinito haverá a manifestação da vida temporariamente; sem objetivos para alcançar podemos dizer que psicologicamente a pessoa morreu, a pessoa é reiniciada, novos valores terão que lhe ser apresentados para que a pessoa possa ter novos objetivos, e começar a viver novamente, neste caso em si, não haverá sentimentos em si mesmos que correspondam a tal acontecimento, haverá sim a incorporação total do ideal (mentalmente), os reforços negativos se extinguiram, os reforços positivos em si também (eles irão reaparecer de acordo com os novos ideias e metas traçadas).
TERCEIRA
Outra forma de morrer psicologicamente é quando a pessoa tem a certeza da impossibilidade de se alcançar seu ideal, seus objetivos, neste caso a pessoa desenvolve outro ideal, este é o caso da maioria das pessoas que ao sofrerem um acidente tornam-se deficientes, nem sempre isso ocorrerá, dependerá dos objetivos traçados e do ideal.
Os sentimentos
Nestes casos a seguir não entrará a teoria comporta mental do lucro em si, na verdade é extremamente simples dessa parte em diante, os lucros são extinguidos e os valores em si também, haverá o confronto com uma realidade alternativa que não seja a adquirida pela pessoa em dado momento, neste caso há a destruição de uma das realidades, pois o ser humano só pode viver em uma realidade, ainda que ele tenha a capacidade de fingir e demonstrar mais do que uma em determinados momentos, no tempo linear só há um caminho possível a ser seguido pelo ser humano, portanto aqui há o começo do princípio dos sentimentos gerados pela ideologia da liberdade, ou seja, somente com a consciência da liberdade é que esses sentimentos poderão se manifestar. Com valores no infinito teremos ideologias não delimitadas mais pelo tempo.
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