domingo, 10 de maio de 2015

Teoria do Comportamento



III

 Os valores


               Os valores são extremamente pessoais, contudo há algumas diretrizes que elas normalmente respeitam, não irei dizer que sempre é assim, porém me atreverei a dizer que não é incomum vermos essas diretrizes se manifestarem; segundo essas diretrizes os valores serão contabilizados assim: os positivos serão aqueles que dão lucro, aqueles que deixam a pessoa mais próxima do seu ideal, os negativos apresentam perda de acordo com os valores estabelecidos pela pessoa, levará ela para longe do seu ideal, normalmente a pessoa não colocará este comportamento em prática; aqui ocorre uma divisão, os grandes valores positivos serão caracterizados pela dificuldade de se conseguir atingir ou conseguir determinada coisa, os de pouco valor positivo são aqueles que são fáceis, de acordo com os seus valores estabelecidos; os negativos serão o contrário, os maiores negativos serão aqueles que normalmente ocorrem, os de pouco valor negativo serão aqueles que raramente ocorrem. Como disse antes repito, esta não é uma verdade absoluta, porém não é incomum vermos sua manifestação na sociedade em que vivemos.
               Outra coisa que tem que estar claro para quem lê é que os valores em si são respostas ao que você entende como sendo o ideal, e o objeto mais valorizado, para sermos mais práticos podemos dizer que serão respostas ao seu objetivo principal, a meta principal traçada em relação ao que você mais deseja, dai surgirá os valores, às vezes serão várias as  metas, neste caso será um pouco mais variada a atribuição e a interpretação de valores; generalizando diremos que os valores determinarão o que você entende como sendo você e o que você entende como sendo os outros, serão a resposta da consciência em si, a base do lucro, quem é a pessoa mais valorizada para o indivíduo, quem ela considera ser digno de receber todo o seu esforço, quem ela considera que deve receber os lucros, os outros serão secundários diante desse ser de acordo com os olhos da própria pessoa. Por último é necessário dizer que os valores nem sempre terão valores tão diferentes, alguém que é justo por exemplo é alguém que normalmente tenta deixar os valores iguais, para que de algum modo consiga viver a verdade, é uma busca inconsciente pela verdade (em algum estágio).             







A VIDA EM SI

               A vida começa somente quando um ideal é estabelecido, e é em prol desse ideal que a pessoa viverá, normalmente as pessoas terão vários ideais; se a pessoa conseguir atingir todos os seus objetivos, podemos dizer que psicologicamente a pessoa morreu, sem objetivos para alcançar, a pessoa é reiniciada, novos valores terão que lhe ser apresentados para que a pessoa possa ter novos objetivos, e começar a viver novamente, neste caso em si, não haverá sentimentos em si mesmos que correspondam a tal acontecimento, haverá sim incorporação total do ideal, os reforços negativos se extinguiram, os reforços positivos em si também. Outra forma de morrer psicologicamente é a quando a pessoa tem a certeza da impossibilidade de se alcançar seu ideal, seus objetivos, neste caso a pessoa desenvolve outra ideal, outros objetivos, este é o caso da maioria das pessoas que ao sofrerem um acidente tornam-se deficientes, nem sempre isso ocorrerá, dependerá dos objetivos traçados e do ideal.

Escolha...

               A questão das escolhas sempre foi algo que nos impressionou, porém algo deve ser dito, toda a escolha é maleável pela própria pessoa, os valores podem ser trabalhados inconscientemente ou não, para que o rumo x ou y possa ser mantido; neste caso o resultado obtido comprometeu os valores. Os sentimentos são uma forma inconsciente (quase involuntária), alguns são utilizados pelo inconsciente como reforço positivo outros utilizados pelo inconsciente como reforço negativo; os negativos visam proteger o indivíduo geralmente da dor, e portanto (de uma forma mais intensa) da morte; os positivos são para incentivar o indivíduo a fazer tal comportamento (de acordo com os valores estabelecidos mentalmente). Ou seja, o sentimento é uma manifestação dos seus valores manifestados involuntariamente para que um comportamento x seja tomado, se o comportamento x não for tomado o sentimento se intensifica, para mostrar à pessoa a realidade que significa (na mente do indivíduo) o rumo y tomado.
               O sentimento é totalmente maleável aos valores atribuídos pela pessoa, todos os sentimentos (sejam físicos ou mentais) são dependentes dos valores atribuídos pela pessoa, um exemplo é depressão profunda em que a pessoa não sente mais vontade de se alimentar, neste caso há a desvalorização da própria vida, por isso os sentimentos físicos não se manifestam, por que a pessoa atribui um valor desprezível para o lucro negativo (a morte) apresentado por eles, a realidade como dizemos é uma só, porém a pessoa pode alterar a percepção desta e viver (ou tentar) ignorando-a. A manifestação de cada sentimento precisará de um valor específico, que tentarei explicar.

               Iremos tratar nos tópicos seguintes de cada um dos sentimentos, a começar pelo medo.

Medo.

               O medo é a forma inconsciente (e portanto involuntária) de se proteger da dor e da morte, é um sinalizador negativo para que o indivíduo sinta o que um comportamento ou acontecimento representa para o inconsciente. Podemos generaliza-la deste modo:

M= P.V
               onde M é igual ao medo; P é a proximidade (consciente ou não) que você faz do ato x à morte; V é o valor que a pessoa atribui à sua vida. Deste modo nos vemos que o medo pode ser suprimido pela desvalorização da própria vida, ou da certeza de que não se vai morrer. Na verdade foi trabalhado no caso mais de medos físicos, porém o medo pode ser classificado do seguinte modo:

L= Ps.As - Pf.Af

               Sendo o medo um sentimento negativo, logicamente o lucro que tal ato apresentaria é negativo; os valores necessários para a manifestação do medo são: a valorização da vida, e a crença de que o ato em questão traz um certo risco para a preservação da vida.
               O medo pode ser de várias outras coisas, a mais comum tirando o caso em questão do medo da morte, é o medo que aparece quando temos uma auto-estima baixa, quando achamos que não conseguiremos fazer determinada coisa, esse medo ocorre simplesmente por causa que o ato em questão dependerá da habilidade do indivíduo (ou seja a possibilidade de fracasso e sucesso recairá inteiramente sobre o indivíduo e ao quanto ele se acha apto a fazer determinada coisa) normalmente elevamos nossa autoestima para tirar o medo, porém podemos simplesmente enxergar que não há nenhum lucro que possa ser retirado de nós em determinados atos.
   

Esperança

               A esperança se mantém pela certeza de que um rumo x é o certo (ou mais correto), normalmente uma pessoa com esperança espera a manifestação de algo que lhe apresente valores satisfatórios de modo a confirmar que o rumo x é o certo. As vezes seus valores que estão certos (segundo seus valores), porém há a certeza de que o valor encontrado no final está errado, deste modo a pessoa não exclui o resultado final, porém acrescenta algo positivo para o futuro, esperando a manifestação de algo que torne o saldo positivo.
             Li= Ps.As - Pf.Af          Lucro apresentado pela ideologia
             Lr= Ps.As - Pf.Af          Lucro apresentado pela realidade
             Li≠Lr                                    se Li> Lr
             Li= Ps.As - Pf.Af + y          Lucro apresentado de acordo com seus valores.

               Quando um comportamento em questão é colocado em prática e o lucro não é visível denominamos de esperança o sentimento gerado; esta não é uma manifestação de uma realidade alternativa, dependerá de seus valores e da certeza que a pessoa tem neles. A realidade não é jogada fora, porém a certeza de que seus valores estão corretos e de que o lucro que ela deveria ter é o Li, fará com que a pessoa crie um falha passional na sua contabilidade, essa falha será corrigida no acréscimo de um acontecimento y futuro, no caso da esperança não ocorrerá um rompimento com a realidade em si, mas um rompimento com o tempo linear, a pessoa projetará um acontecimento y para o futuro.


Desespero

               O desespero ocorre na necessidade de se encontrar uma resposta (um rumo) satisfatória para um erro na contagem dos acontecimentos decorridos da tomada do rumo x, o desespero se manifesta dependendo de quão diferente for o saldo encontrado do saldo idealizado.
               Li= Ps.As - Pf.Af                 Lucro apresentado pela ideologia
               Lr= Ps.As - Pf.Af                Lucro apresentado pela realidade
               Li≠Lr                                    se Li> Lr ocorrerá o desespero (este só se manifestará pela incerteza dos seus valores, se a pessoa ter certeza será desenvolvida a esperança).
                                                           
Desesperança.

               É o passo que precede o suicídio, a desesperança ocorre na medida em que o saldo fica negativo e há a certeza de que não só o rumo que o rumo y é incorreto, mas de que não é possível encontrar o um outro rumo satisfatório. Está na inexistência consciente (nem sempre real) de se alcançar o idealizado pela pessoa. Neste caso a lei do lucro faz com que a pessoa não tenha vontade de fazer nada, ou seja:

               L= Ps.As - Pf.Af
               L= 0 .As - Pf.Af
               L= - Pf.Af
              
               Ou seja a pessoa tenderá a ver que nada mais tem razão, nada mais vai trazer um saldo positivo (de acordo com os seus objetivos, com os seus valores), e todo comportamento dependerá do consciente, e não do inconsciente, neste caso a morte poderá ser uma escolha do inconsciente dependendo dos valores atribuídos pela pessoa ao ato (suicídio), pois às vezes a pessoa poderá ver mais vantagem em uma morte física do que a existência que lhe está imposta (mentalmente impossibilitada de alcançar o ideal); outra coisa que pode acontecer é a pessoa sonhar e viver num mundo idealizado, neste caso há a ruptura com a realidade, normalmente consciente (pela dedução mental de que a dor de sentir a realidade seria muito grande); nestes casos o melhor a se fazer é traçar novos objetivos e um novo ideal, normalmente isso poderá tirar posteriormente o saldo negativo.

Nervosismo

               O nervosismo é uma forma de defesa, infelizmente em nossa sociedade o nervosismo é visto como um sinal de fraqueza, o que não é verdade, o nervosismo ocorre quando você inconscientemente acha que irá fracassar ao tentar fazer determinada coisa, ou quando você acha que o lucro que um determinado comportamento é negativo, o que ocorre em um caso desses é o seguinte:
              
               L= Ps.As - Pf.Af
               L será negativo; é quando seu inconsciente diz que você não deve praticar determinado ato. Contudo por alguma circunstância você é levado a praticá-lo, o que ocorre é que o inconsciente tenta refazer o cálculo, de modo a torná-lo positivo, ou seja, ele tenta aumentar a possibilidade de sucesso:
               L= (N+Ps).As - Pf.Af          Sendo N= Nervosismo.

               O nervosismo representa esse acréscimo, lembre-se que quando um indivíduo está nervoso, o corpo libera adrenalina que irá aumentar os batimentos cardíacos e a respiração para que a pessoa possa ter mais chance de sucesso ao realizar tal comportamento, quando alguém está nervoso este tende a falar mais rápido, raciocinar mais rápido, na verdade tudo é uma manifestação inconsciente para aumentar sua chance de sucesso. O ruim é que na nossa sociedade  o nervosismo é um sinal de fraqueza e assim a pessoa fica no meio termo, não sabe se si beneficia ou se sai perdendo ao usar a adrenalina, tudo dependerá do estado em que a pessoa se encontra e do quando ela quer sair de determinada situação.
                
Nojo

               O nojo é um reforço do inconsciente para que você não coma determinado alimento, na verdade o nojo é mais simples do que a maioria dos outros sentimentos; para analisar-mos este sentimento, é bom que você pense primeiro em algo nojento... você perceberá que está coisa é estritamente ligada à doenças e ao seu poder contagioso (infeccioso), o nojo é uma forma inconsciente de afastar você daquilo que poderá lhe causar alguma doença.
               L= Ps.As - Pf.Af                  
               L< 0                                     
Neste caso o s não será de sucesso, será de não pegar determinada doença, o f não será de fracasso, será de pegar a doença. Quando o nojo se manifesta o saldo ficou negativo.


               De um modo geral o nojo leva o indivíduo a ficar enjoado, isto porque o nojo se manifesta inconscientemente, se você não somente imaginar a coisa nojenta, mas imaginar ingerindo tal alimento, o nojo produzirá o enjoo para que você venha a vomitar a comida, neste sentimento está impresso o quanto o consciente pode criar situações irreais, na verdade nada foi ingerido, contudo o inconsciente é enganado pela consciência, isso é muito interessante. Para que o nojo se manifeste você tem que ver um saldo negativo nas doenças em relação ao seu ideal, também é necessário que o saldo negativo das doenças ultrapasse qualquer outro saldo positivo que tal objeto possa apresentar.


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