domingo, 11 de outubro de 2015

A Tal Intesercção - Parte 5


Velhice

Ignoro as premissas que antes foram aceitas e vivo pelo tato...
Assustadoramente tudo parece agora familiar, sinto meu desejo segurar em uma ponta e minhas necessidades em outra, o sono e o cansaço correm atrás de mim e não me deixam pique algum... Meus olhos cansados agora pesam mais, minhas pernas bambeiam quando eu faço algum esforço, estou refém da morte que me assegura que não vai me esquecer, agora sou um sobrevivente, mas sei que não vou escapar...
Penso como nunca pensei antes, sou um profeta agora, uma testemunha contra todos, ninguém é fiel ou merecedor como um dia eu fui de uma realidade melhor e assim eu condeno a todos, todos são partes dessa geração perdida que não honra seus antepassados.  
Aos poucos meu corpo começa a transcender, parece até que ele está indo para um outro plano, e eu sinto isso, minha espiritualidade começa a aflorar e eu vejo anjos e demônios, vejo caminhos já feitos, vejo escolhas que não foram tomadas, vejo certeza na dúvida, vejo erro nos acertos e acerto nos erros, assisto o jogo e nem me importo mais o cansaço já me possui, “O que fiz?” Essa pergunta me persegue agora mais do que nunca, e não há nada a ser feito, e se há eu não consigo ver, estou cansando demais pensando nas perdas do passado, tento ir em frente porém a doença ou a culpa me impede, esse é então o meu limite, agora no apito final eu olho o juiz imputável e não me arrependo, ele é incorruptível, o apito jaz a boca e eu sei o resultado, sempre soube...

Depois...

Não encontrei uma forma melhor de definir essa idade, seja poeticamente, seja com a lógica... ela está aqui comigo, depois de todo esse caminho percorrido, depois do ego se inflar com a idade, e a idade se esvair de sua força, depois de sonhos serem consumidos esperando o que nunca veio, depois ainda que a corrupção me desprezou também porque estou longe agora de todos, sou um leproso em termos bíblico, pedaços de mim caem e me laçam fora da cidade, agora estou pronto para retornar ao pó... Não há um dia em que eu não peça a morte, e não há um dia em que eu não deseje ir... Meu medo agora é de soltar a verdade e ela consumir meus irmãos, pois ela nunca volta vazia, estou já a salvo, estou em casa e sempre estive, já venci o maligno e ele me odeia, para mim isso basta, a verdade não serve aos outros, se quisessem ver eles mesmo veriam com seus olhos, ahhhhhhhhrrrrr.... Choro...
.... Deus ouve a minha voz, eu clamo, me ajude a concluir meu trabalho e deixar o mundo sem macular ninguém, deixe os ignorantes serem ignorantes, deixe os sábios serem sábios, deixe os falsos serem falsos e os mentirosos serem mentiroso, deixe os amorosos serem amorosos, e os que têm fé tê-la, deixe... Deixe... deixe tua vontade aos que são frutos dela, deixe tua santidade irradiar aqueles que são... Deixe... deixe os pecaminosos se cobrirem de trevas e não dê a eles a tua luz, deixe que os fracos sejam fortes, e os fortes terem o prazer de serem fracos, deixe os ricos em pobreza e os pobres em riqueza, deixe.... deixe que a sorte e o azar andem de mãos dadas de tal forma que ninguém possa distinguir um do outro, deixe... deixe que a lógica morra sozinha, e a burrice reine, deixe que a força escorregue dos dedos de quem a pensa possuir e que ele se encontre nas mãos daquele que pensou não ser... Deixe... deixe esse mundo podre ser o que sempre foi, pobre de espírito e hipócrita, deixe.... Deixe que eles sejam enganados pela sua vil ganância, deixe que eles se engrandeçam, deixe, deixe, deixe eles pois te deixaram, amaram mais a prática de limpar lugares e não corações, deixe eles pois te ignoraram, queime-se essa folha e este escrito, queime-se toda a sabedoria que um dia se ergueu para proteger teus filhos, vai-se embora o protetor e deixe, deixe que eles nos consumam, deixe pois isso ainda será pouco... Dia após dia lhes falei abertamente a verdade mas não ouviram, deram ouvidos a sua própria filosofia fajuta e religiosa, pensam pensar mas se desviam ao ver a luz, temem a ti, e eu? O que serei de mim? É por isso que clamo, me leve, deixe... deixe-me ir...

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