domingo, 10 de maio de 2015

Verdade e Consciência



I

Verdade e Consciência           


Eu vou falar sobre a verdade e principalmente jogar o básico da psique humana, mas primeiro devemos responder:o que é a verdade?
            Esta é a pergunta mais importante contudo ninguém pode analisá-la de frente, e porque? Porque ao contrário da maioria do que meus antecessores acreditavam a verdade não é uma ação por assim dizer é uma reação, vamos antes de tudo definir certos parâmetros, na China entre os princípios de sua espetacular cultura há alguns que quero retratar dizem que conhecimento é poder, mas será que isso é verdade? No ocidente a nossa visão de conhecimento é a de que ela se traduz em controle que no fim se traduz por poder, com o domínio, o conhecimento do oriental é paradoxal nesse sentido para eles o conhecimento sempre foi usado para se conseguir alcançar uma vida em harmonia com o mundo, com o cosmo, com tudo e todos, enquanto a vida para os ocidentais seja na maioria das vezes empírica e ligada a lógica, na visão do oriental não há um conhecimento linear de fato e a lógica no fim é uma visão limitada demais(...). Na cultura oriental eles partiram por outro prisma não há absolutos e com base nessa informação é traçado uma forma de pensar muito peculiar, começaremos por explanarmos o básico do básico: o conceito de yang e do yin, e desse conceito surge uma ideia interessante, a de que a afirmação e sua negação estão integrados, estão ligados de modo tal que são um só em uma visão completa, ao se determinar a verdade surge a mentira, ao se jogar a luz surgem as sombras é nessa base que caminha o pensamento oriental principalmente o chinês, vamos supor uma afirmação qualquer:
A-    Eu jogo poker.
Vamos supor que ela seja verdade, desta verdade surge logicamente uma afirmação que é falsa:
B-    Eu não jogo poker.
Essa segunda afirmação pode não ser manifesta, mas ela é em potencial a mentira que surge de A. No conceito chinês A seria a parte positiva representando a luz, B seria a parte negativa, não só por surgir depois mas porque B só existe por causa de A, sendo assim sem A não há B assim como as sombras, existe agora um ponto que vale a pena destacar, muitos anos se passaram e poucos observaram que de fato cientificamente não existe sombra, a sombra é a ausência da luz, a luz não faz surgir as sombras, até porque as sombras são ausência de luz, por causa da metáfora das sombras a ideia que se tem é que para chegamos a plenitude podemos retirar então a luz das afirmações, contudo sem luz não há nada, ou melhor, sem luz só há sombras ao contrário do que se pensa que sem verdade não há mentira, de fato, sem verdade tudo é mentira.
Chegamos a um conceito então preciso e muito importante a verdade não é verdade a não ser que seja manifesta, não que ela não possa existir mas ela cessa sem fonte, não há verdade encoberta, verdade encoberta é o mesmo que mentira. E porque posso afirmar isso? Vamos supor novamente as duas afirmações primeiras:
A-    Eu jogo poker.
B-    Eu não jogo poker.
Contudo eu não sei agora qual é a afirmação verdadeira, mas antes de chutarmos se uma está correta, quero me ater ao conceito da mentira, a mentira ela é falsa porque? A mentira é falsa porque ela carece de fonte, ela é falsa porque a sua afirmação não pode ser provada ou conferida, ao contrário da verdade, o que concluímos? Que a verdade enquanto não for provada ou quando há incapacidade de ser comprovada é de fato uma mentira concluímos então que as afirmações A e B por si só sem afirmação adicional de qual é verdade são em conceito mentira, ambas as afirmações são falsas.
Em outras palavras, de modo mais simples podemos dizer que a verdade de fato não faz surgir a mentira, ela simplesmente a denuncia.
            II- Níveis da consciência         

Isso é bem diferente da visão chinesa e por mais incrível que pareça se assemelha a visão cristã de pecado e de santidade, contudo depois eu explicarei e passarei pelo maior filósofo de todos em minha opinião, Jesus Cristo.
            Embora nego a conclusão filosófica que alguns aderem, não nego de todo a tradição chinesa de yin e yang o seu poder explicativo no campo sintomático é no mínimo interessante, principalmente porque o conhecimento eclesiástico deles tem a pretensão de unir o espírito ao físico, digo pretensão no sentido ocidental, aqui temos a tendência de separar filosofia, psicologia, teologia e matemática, claro que estou falando do conhecimento secular ocidental porque até entre os ocidentais há muitos adeptos a medicinas alternativas que pregam entre outras coisas a cura do doente e não da doença, já o conhecimento secular dos chineses tentam unir a psicologia com teologia e erram ao meu ver ao esquecer a filosofia e o rigor matemático, e o que seria mesmo o conhecimento matemático de que falo? O conhecimento matemático é o poder de dedução que nos leva a compreender, a desvendar a verdade por meio de um sistema lógico, é nela que é formado a atribuição de valores a que me referi no artigo anterior, unir as 4 matérias significa obter conhecimento e poder para reconhecer a verdade:
- A teologia provê (dá, produz).
- A psicologia interioriza.
- A matemática abstrai e determina.
- A filosofia generaliza.
            Se fôssemos colocar em uma espécie de gráfico eu colocaria do seguinte modo:



Observe que coloquei em um quadro circular, e muitos livros que tratam dos fundamentos da medicina chinesa o trazem (sem a nomenclatura que adotei), é um círculo que se baseia no princípio de yin e yang, estes quatro conhecimentos contudo estão dentro da alma humana, indissolúveis em qualquer indivíduo, inerentes, se eu lhe falar alguma afirmação filosófica (genérica) você o passará naturalmente pela teologia, depois pelo seu psique e por última pela matemática para abstrair algum conhecimento da verdade, se eu lhe falar sobre teologia por sua vez, você irá observar primeiramente se confere com sua vida, você fará uma espécie de paralelo entre a informação dada e a sua vida, depois passará tal afirmação pela lógica o qual deduzirá o saldo e determinará os valores escolhidos e finalmente pela filosofia, esse conhecimento circular manifesta a interdependência entre seus métodos e os explicarei com mais calma posteriormente, ignora contudo tanto o ocidente quando o oriente esta vital união e por isso mesmo ambos se perdem.
            É digno também de menção que nem todos teremos facilidade em todas as matérias, cada deficiência causará uma distinta dificuldade, se alguém tem deficiência em Teologia por exemplo, ele não conseguirá fundamentar com coerência ideias como moralidade, direito e até civilizado, se alguém tem dificuldade em matemática, terá dificuldade de extrair informações dificultando assim a leitura e o deixando inapto a problemas com lógica, se alguém tem dificuldade em psicologia terá dificuldade em ter opinião própria e de escolher isso ou aquilo, se alguém tem dificuldade em filosofia, terá dificuldade em ver valores alheios ao seu tornando inapto a dialogar. Os quatro conhecimentos determinam assim algo mais do que unicamente conhecimentos distintos, eles revelam quatro níveis circulares de conhecimento:
1- Teologia                  Deus                Futuro
2- Psicologia                Psique (Eu)      Presente
3- Matemática             Humos             Passado
4- Filosofia                  Você               Presente

Muitas coisas são dignas de nota nessa hora, uma delas é que a matemática seria a mais ligada a terra e ao mesmo tempo a mais humana de todas, este é um dos motivos pelo qual usei a nomenclatura Humos, porque humos significa terra de onde o homem vem pelo cristianismo/judaísmo/islamismo entre outras,  sendo berço da palavra humano e também porque humos é uma das classificações do solo, sendo este o mais fértil; logicamente estou usando também o paradoxo da palavra fértil da qual deriva a palavra fertilizar, que mostra uma associação de vida à morte, porque a terra é fértil porque foi fertilizada, porque algo morreu sobre ela, assim também de modo similar a matemática estuda coisas mortas, inanimadas, embora sim tenha uma das maiores capacidade de resolver problemas atuais e vivos ela só se faz presente no passado ou melhor ela só ganha forma com base em coisas acabadas.
            Quero prosseguir falando um pouco no paralelo que existe entre o terreno e o celeste, entre o psique o genérico, vou para isto trazer um outro gráfico semelhante:

Com este gráfico quero trazer uma correlação entre os conhecimentos, há uma certa oposição entre eles, e ao mesmo tempo uma interdependência, confuso? Deixe-me tentar explicar, tudo isso dá origem a verdade, Descartes demonstra isso em seu livro “Discurso sobre o Método” (embora a forma cíclica apresentada esteja deduzida parcialmente) no qual fica evidente que ao aceitar uma verdade (a imutável “penso, logo existo”) a ideia de que existe um ser perfeito e que sabe de tudo aparece, isso porque Deus na mente é a própria verdade.
 A verdade é o resultado desse círculo vivo, talvez círculo seja errado por dar a ideia de algo estático, penso que o mais o correto seria uma eterna roda gigante, ou melhor ainda, seria como se fosse nosso planeta ao fazer o seu giro sobre si, como eu disse no começo é impossível mensurá-la de frente, é bem melhor fazermos pela tangente e assim iremos se Deus nos ajudar.

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